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terça-feira, 25 de maio de 2010

Blefarite. Como tratar?

O que é Blefarite?

Como já descrito no post sobre Terçol, todos nós temos na margem das pálpebras, junto dos cílios, glândulas que produzem uma secreção gordurosa. Essa secreção gordurosa faz parte da composição da nossa lágrima.
Em algumas pessoas essas glândulas não produzem essa secreção de forma correta. Isso pode ocorrer devido à alterações hormonais, à infecções bacterianas, a um excesso de gordura ou mesmo não ter um causa aparente.
Quando isso ocorre, acumula-se uma secreção junto dos cílios, chamada blefarite. Essa secreção pode causar coceira, vermelhidão e irritação tanto nas pálpebra quanto no próprio olho.

Além disso, essas glândulas funcionando mal, causam uma alteração na nossa lágrima ocasionando um quadro de olho seco. 
A blefarite é mais comum em pessoas com tendência a pele oleosa, caspa e seborréia. Pessoas que tem uma doença dermatológica chamada rosácea ocular costumam apresentar uma blefarite intensa.

Sintomas da Blefarite

Na blefarite, as pálpebras superior e inferior ficam cobertas por detritos oleosos (semelhante a caspa) em torno da base dos cílios que podem inclusive levar à perda dos mesmos.
Coceira e irritação ocular, sensação de corpo estranho, lacrimejamento e vermelhidão nas bordas das pálpebras são os sintomas mais típicos.
A presença da blefarite aumenta a chance de aparecer terçol (hordéolo).
Por ressecar o olho, a blefarite pode dificultar a adaptação às lentes de contato.
É importante dizer que muitas pessoas apresentam blefarite mas quase não tem sintomas enquanto outras tem uma blefarite leve mas com muitos sintomas.


O que causa a Blefarite?

Como explicado anteriormente, a blefarite ocorre por uma alteração na produção de gordura das glândulas das pálpebras (blefarite seborreica) ou por uma infecção bacteriana dessas mesmas glândulas (blefarite infecciosa ou estáfilococica).
Quando a inflamação acomete as glândulas mais profundas da pálpebra chamada glândulas de meibomius, causam uma doença chamada meibomite. A meibomite tem os sintomas muito semelhante à blefarite e o mesmo tratamento. 

Tratamento da Blefarite:

Blefarite é uma doença crônica e não tem cura. No entanto, o tratamento é muito eficaz e relativamente simples. Mas se a pessoa parar de fazer o tratamento, em pouco tempo voltará a sentir os sintomas.

Higiene palpebral: O olho afetado deve ser limpo com suavidade, utilizando uma compressa embebida numa solução específica para limpeza palpebral, disponível nas farmácias ou com xampú neutro infantil. Essa limpeza também pode ser feita com cotonete no lugar da compressa.
Importante ressaltar que deve-se limpar as pálpebras, bem junto dos cílios e NÃO o olho em si.
Após a limpeza, o paciente deve usar soro fisiológico ou água, para enxaguar os restos da solução. A limpeza deve ser feita 1 ou 2 vezes por dia, dependendo da gravidade da blefarite.

 

Calor local: o calor local ajuda a remover as crostas e as secreções gordurosas. Para aplicar o calor local, deve usar uma compressa úmida em água morna e colocá-la sobre a pálpebra durante 5 a 10 minutos, mantendo os olhos fechados. Este procedimento deve ser repetido sempre antes de fazer a higiene descrita acima.

Massagens das pálpebras: a massagem suave da base dos cílios visa drenar as secreções das glândulas. A massagem deve ser feita com pequenos movimentos circulares e horizontais, durante alguns segundos, sempre depois da compressa morna. Deve ser feita principalmente pelos pacientes que tem meibomite.

Colírios e pomadas: em casos mais graves ou resistentes podemos utilizar antibióticos junto com antiinflamatórios (corticóides) na forma de colírios ou pomadas oftalmológicas. Devido aos possíveis efeitos colaterais desses medicamentos, essa opção de tratamento só deve ser usada sob orientação de um oftalmologista e por curto período de tempo.

Antibióticos orais (comprimidos): Em raros casos a blefarite é muito resistente ao tratamento convencional e pode até comprometer a integridade do olho. Nessa situação, o seu médico pode usar antibióticos por via oral (doxiciclina) para controlar o processo.

Ômega 3: A suplementação com ômega 3 demonstrou ajudar na regulação da função das glândulas palpebrais e com isso reduzir a blefarite e a meibomite, além de melhorar o ressecamento ocular. Pode ser usado na forma de pó ou, de preferência, na forma de drágeas. A dose recomendada é de 1 grama, 2 vezes por dia, junto das refeições. O ômega 3 é encontrado em alguns peixes (salmão, sardinha) e em algumas sementes (linhaça) e óleos vegetais.

 
Quer saber mais sobre terçol, hórdeolo e calázio?
http://www.medicodeolhos.com.br/2010/05/tercol-hordeolo-e-calazio.html

Quer saber sobre os efeitos colaterais dos corticóides?
http://www.medicodeolhos.com.br/2010/04/corticoides-efeitos-colaterais-nos.html

Outros tópicos que podem ser de seu interesse:

- Lentes de Contato: Tipos, cuidados e dicas para uso correto
http://www.medicodeolhos.com.br/2010/04/lentes-de-contato-tipos-modos-de-usar-e.html

- Olho Seco
http://www.medicodeolhos.com.br/2010/05/olho-seco-o-que-e-causas-e-tratamento.html


Terçol, Hórdeolo e Calázio

Terçol (também conhecido como tersol, treçol ou terçolho ou treçolho ou viúvo ou belezinha) é uma inflamação das glândulas que produzem uma secreção gordurosa e que existem na pálpebra perto das raízes dos cílios. Cientificamente o terçol é chamado de hordéolo. Quando essa inflamação é mais profunda vira um calázio, que é maior e menos doloroso e que, ao contrário do hordéolo, muitas vezes precisa de tratamento cirúrgico.
Em termos mais científicos, o hordéolo afeta as glândulas de Zeiss e Mol enquanto o calázio atinge as glândulas de Meibomius.
Os hordéolos e calázios não afetam a visão mas causam muito incomodo, dor e vermelhidão no local. Com algumas medidas eles somem em menos de 1 semana mas as vezes podem precisar de cirurgia.



Causas do Terçol

O terçol ocorre porque as glândulas estão produzindo erradamente sua secreção gordurosa ou porque uma bactéria (geralmente um estafilococos) infectou essas glândulas. Muitas vezes ocorrem as duas coisas juntas.

O terçol pode ser decorrente de blefarite que é uma inflamação da pálpebra com acúmulo de secreção gordurosa nos cílios, parecendo uma caspa.
Adolescentes estão mais sujeitos a ter hordéolos e calázios devido a variação hormonal que influencia na produção de gordura. É o mesmo processo que faz com que os adolescentes tenham mais espinhas (acnes).

Sintomas do terçol

Os sintomas do hordéolo (terçol) são: Inchaço das pálpebras, uma pequena elevação no local (“caroço”), coceira, vermelhidão, dor ao mexer na pálpebra ou ao piscar, sensibilidade a luz e pouca secreção.


Terçol pega?

Ao contrário do que a maioria das pessoas acredita, terçol não é contagioso. Não há necessidade da pessoa com terçol ficar em casa ou evitar contato com outras pessoas.

Tratamento do Terçol e do Calázio

O tratamento é simples e consiste em:
Higiene palpebral: Lavar bem o olho afetado, não deixando acumular secreção.
Calor local: Com uma gaze ou um chumaço de algodão aplicar calor local (morno e não quente) sobre a lesão por 10 a 15 minutos, de 3 a 4 vezes ao dia.
Muitas vezes isso é suficiente para que a lesão desapareça em 1 semana.
Às vezes é necessário usar colírios ou pomadas oculares que contenham antibióticos e antiinflamatórios mas isso só deve ser usado seguindo recomendação médica.
Quando a pessoa também apresenta blefarite, precisa fazer o tratamento específico para a blefarite pois pode aumentar a chance de ter outros hordéolos.
Algumas pessoas, espcialmente idosos e adolescentes podem apresentar hordéolos ou calázios de repetição. Quando isso ocorre é preciso usar antibiótico por via oral (comprimidos) por um tempo prolongado.

Cirurgia para terçol

Quando a lesão fica crônica e não resolve com o tratamento clinico é preciso fazer uma drenagem cirúrgica. É uma cirurgia rápida e simples, feita com anestesia local.
Após a anestesia é feito uma incisão no local da lesão e o conteúdo do abscesso é drenado. Essa incisão quando é feita pela parte de dentro da pálpbra não precisa de sutura (ponto) mas quando é feita pela pele, o médico precisa dar 1 ou 2 pontos.
O pós operatório é bem tranqüilo e em poucos dias nem dá para perceber mais nenhuma alteração.
Às vezes a lesão pode voltar e necessitar de novo tratamento.

Mitos populares sobre o Terçol

  • Muitas pessoas recomendam esquentar aliança e aplicar no local. Como explicado acima o calor local é a base para o tratamento. Mas usar aliança pode queimar a pele e o uso de compressas mornas fazem um efeito melhor.

  • Já explicado acima, terçol não pega. Não precisa faltar a escola ou ao trablaho só porque está com terçol.

  • E a maior crendice de todas: Contrariar desejo de mulher grávida NÃO causa terçol
O CID 10 (código internacional de doenças) para hórdeolo é H00.0 e para calázio é H00.1


Outros tópicos que podem ser de seu interesse:

- Para saber como tratar a Blefarite, leia esse texto:
http://blogoftalmo.blogspot.com/2010/05/blefarite-como-tratar.html
- Lentes de Contato: Tipos, cuidados e dicas para uso correto
http://blogoftalmo.blogspot.com/2010/04/lentes-de-contato-tipos-modos-de-usar-e.html
- Cirurgia Refrativa:
http://blogoftalmo.blogspot.com/2010/04/apos-falarmos-de-oculos-e-lentes-de.html