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segunda-feira, 31 de maio de 2010

Síndrome do Olho Seco: o que é, causas e tratamento

Esse texto é sobre a Síndrome do Olho Seco.

Olho seco

O olho seco é uma doença crônica, caracterizada pela diminuição da produção da lágrima ou deficiência em alguns de seus componentes, ou seja, pouca quantidade e/ou má qualidade da lágrima. É uma doença que aparece de forma insidiosa (lenta) e pode causar sintomas quase imperceptíveis até quadros muitos graves e sintomáticos com comprometimento da saúde ocular.
Nos últimos anos, o olho seco ganhou grande importância entre os médicos e hoje preferimos chamar o olho seco de síndrome do olho seco ou síndrome de disfunção lacrimal. A doença também é conhecida ceratoconjuntivite seca.

O que é a lágrima?


As lágrimas são produzidas constantemente para lubrificar os olhos. Hoje em dia na medicina não dizemos mais lágrima e sim filme lacrimal, então o certo é perguntar O que é o filme lacrimal?

Como é formado o olho seco

O filme lacrimal é composto por 3 camadas. A camada mais externa, chamada de óleo ou lipídica, protege e previne a evaporação da lágrima. A camada do meio é chamada de aquosa e é responsável pela nutrição e oxigenação da córnea. Além disso, contém várias substâncias com atividade antibacteriana. A 3º camada é composta por muco (mucina) e faz a interação entre a camada aquosa e as células superficiais da córnea e da conjuntiva, facilitando sua aderência e permanência na superfície ocular.

Quem produz a lágrima?


Cada componente da lágrima (como explicado acima) é produzido por uma glândula diferente. A camada mais externa (lipídica) é produzida pelas glândulas de meibomius que ficam na margem das pálpebras. A camada de água (aquosa) é produzida pela glândula lacrimal principal e pelas glândulas lacrimais acessórias (chamadas de krause e wolfring). A camada mais interna (mucina) é produzida pelas células caliciformes que ficam localizadas na conjuntiva.

Como a lágrima sai do Olho ?

Parte da lágrima evapora no ar, parte á absorvida pelas células do olho e parte é drenada através dos pontos lacrimais, passam pelos canaliculos lacrimais superior e inferior e depois chegam até o saco lacrimal.

Glândulas do olho humano

Funções da Lágrima:



  • Lubrificação: a lubrificação fornecida pela lágrima permite que as pálpebras deslizem suavemente sobre os olhos evitando o atrito durante o ato de piscar. Imagine quanto doloroso seria piscar os olhos caso a superfície dos olhos fosse totalmente seca.
  • Proteção: a lágrima contém anticorpos e outras substancias antimicrobianas e é uma das mais importantes defesas do nosso olho contra agentes nocivos.
  • Nutrição: Na lágrima encontramos diversos nutrientes que serão utilizados pelas células da superfície ocular
  • Oxigenação: o oxigênio do ar atmosférico se difunde pela lágrima e chega às células da córnea.
  • Visual: o filme lacrimal é importante para enxergamos bem. Já notou que quando seu olho enche de lágrima na hora de chorar sua visão fica turva? Da mesma forma, se você tiver pouca lágrima sua visão fica prejudicada.

O que causa o olho seco:


Muitas vezes não é possível determinar o que causou o olho seco mas alguns fatores estão relacionados a isso:
1- Idade: quanto mais avançada a idade, mais fácil ter olho seco. Estima-se que aos 65 anos uma pessoa produza 60% menos lágrimas do que aos 18 anos.
2- Estado hormonal: sabemos que a produção de lágrimas sofre influencia de diversos hormônios principalmente do estrogênio. Por isso, mulheres quando entram na menopausa e o estrogênio diminue apresentam mais sintomas de ressecamento ocular.
3- Medicamentos: Alguns medicamentos podem desencadear ou piorar o olho seco: Diuréticos, antidepressivos, betabloqueadores usados para tratamento da hipertensão arterial, anticoncepcionais, antihistamícos (usados para alergias).
4- O Ambiente: lugares com ar condicionado, com vento, calefação, poluição ou com fumaça de cigarro ajudam a agravar os sintomas do olho seco.
5- Uso de computador: O monitor do computador emite muita luminosidade e também diminui a freqüência do piscar. Piscando menos, a lagrima não lubrifica direito o olho.
6- Cirugias oculares: Especialmente após cirurgias refrativas, o olho fica mais ressecado e o uso de colírios lubrificantes é muito importante.
7- Outras doenças oculares: Doenças oculares como blefarite e meibomite causam e pioram o ressecamento ocular.
8- Outras doenças sistêmicas: Algumas doenças cursam com ressecamento ocular, principalmente a síndrome de Sjogren mas também artrite reumatóide, lúpus eritematosos sistêmico, síndrome de Stevens-johnson, sarcoidose, doença de Parkinson, doenças da tireóide entre outras.

A Síndrome do Olho Seco pode ser dividida em 2 grupos principais, de acordo com a causa:

1) Diminuição da produção ou Deficiência aquosa do filme lacrimal;2) Evaporação excessiva, predominantemente associada à disfunção das glândulas de Meibomius ou deficiência de mucina.



Quais os sintomas do olho seco?


Ardência, queimação, sensação de corpo estranho no olho, sensação de areia, vermelhidão, coceira leve, visão borrada que melhora quando pisca, lacrimejamento excessivo, fotofobia.
Esses sintomas pioram ao usar computador, ver televisão, leitura e em ambientes com ar condicionado ou em dias com muito vento. Os sintomas também costumam piorar a noite. Entretanto, esses sintomas são muito vagos e inespecíficos e por isso deve ser feito o diagnóstico diferencial com alergia ocular, conjuntivite, blefarite etc...
Um sintoma frequente e que confunde o paciente é o lacrimejamento excessivo. “Como assim, eu tenho olho seco se meus olhos lacrimejam tanto?” Na verdade, é um lacrimejamento reflexo do olho, na tentativa de combater uma superfície ocular doente. A lágrima pode até estar em boa quantidade, mas sua qualidade está ruim.

Diagnóstico do olho seco:


O diagnóstico do olho é essencialmente clínico. Os sinais e sintomas relatados pelo paciente são o mais importante. Alguns exames auxiliares podem ajudar:

Tempo de quebra do filme lacrimal (em inglês break up time ou BUT): Com o auxílio de um corante chamado fluoresceina o médico avalia por quanto tempo o filme lacrimal permanece integro no olho. O normal é ele durar mais de 10 segundos.
Coloração com Rosa Bengala: Rosa bengala é um corante de cor rosa que marca a superfície ocular doente pelo ressecamento ocular.

Olho com coloração rosa
Coloração com Lisamina Verde: Tem a mesma função da Rosa Bengala porém arde menos o olho na hora que pinga.

Olho com coloração com lisamina verde
Teste de Schirmer: Ajuda na quantificação da produção lagrimal. Consiste na colocação de uma tira de papel de filtro de 35 x 5mm, com os primeiros 5mm dobrados no fundo de saco conjuntival inferior. Após 5 minutos, mede-se a quantidade de umedecimento da tira de papel. Valores superiores a 15mm são considerados normais e abaixo de 10mm são muito suspeitos de olho seco.

Teste de Schirmmer

Tratamento do olho seco


O olho seco é uma doença que muitas vezes não tem um tratamento que cure todo o processo de forma definitiva porém os sintomas podem ser controlados de forma eficaz com medicamentos e alguns procedimentos.
O uso de colírios, algumas medidas simples. suplementação alimentar e às vezes até cirurgias podem ajudar dependendo da gravidade de cada caso.
Para continuar lendo sobre o olho seco e saber todas as opções de tratamento para olho seco existentes não deixe de ler o tópico  abaixo sobre Tratamento do Olho Seco
http://www.medicodeolhos.com.br/2010/06/tratamento-do-olho-seco.html


terça-feira, 25 de maio de 2010

Blefarite. Como tratar?

O que é Blefarite?

Como já descrito no post sobre Terçol, todos nós temos na margem das pálpebras, junto dos cílios, glândulas que produzem uma secreção gordurosa. Essa secreção gordurosa faz parte da composição da nossa lágrima.
Em algumas pessoas essas glândulas não produzem essa secreção de forma correta. Isso pode ocorrer devido à alterações hormonais, à infecções bacterianas, a um excesso de gordura ou mesmo não ter um causa aparente.
Quando isso ocorre, acumula-se uma secreção junto dos cílios, chamada blefarite. Essa secreção pode causar coceira, vermelhidão e irritação tanto nas pálpebra quanto no próprio olho.

Além disso, essas glândulas funcionando mal, causam uma alteração na nossa lágrima ocasionando um quadro de olho seco. 
A blefarite é mais comum em pessoas com tendência a pele oleosa, caspa e seborréia. Pessoas que tem uma doença dermatológica chamada rosácea ocular costumam apresentar uma blefarite intensa.

Sintomas da Blefarite

Na blefarite, as pálpebras superior e inferior ficam cobertas por detritos oleosos (semelhante a caspa) em torno da base dos cílios que podem inclusive levar à perda dos mesmos.
Coceira e irritação ocular, sensação de corpo estranho, lacrimejamento e vermelhidão nas bordas das pálpebras são os sintomas mais típicos.
A presença da blefarite aumenta a chance de aparecer terçol (hordéolo).
Por ressecar o olho, a blefarite pode dificultar a adaptação às lentes de contato.
É importante dizer que muitas pessoas apresentam blefarite mas quase não tem sintomas enquanto outras tem uma blefarite leve mas com muitos sintomas.


O que causa a Blefarite?

Como explicado anteriormente, a blefarite ocorre por uma alteração na produção de gordura das glândulas das pálpebras (blefarite seborreica) ou por uma infecção bacteriana dessas mesmas glândulas (blefarite infecciosa ou estáfilococica).
Quando a inflamação acomete as glândulas mais profundas da pálpebra chamada glândulas de meibomius, causam uma doença chamada meibomite. A meibomite tem os sintomas muito semelhante à blefarite e o mesmo tratamento. 

Tratamento da Blefarite:

Blefarite é uma doença crônica e não tem cura. No entanto, o tratamento é muito eficaz e relativamente simples. Mas se a pessoa parar de fazer o tratamento, em pouco tempo voltará a sentir os sintomas.

Higiene palpebral: O olho afetado deve ser limpo com suavidade, utilizando uma compressa embebida numa solução específica para limpeza palpebral, disponível nas farmácias ou com xampú neutro infantil. Essa limpeza também pode ser feita com cotonete no lugar da compressa.
Importante ressaltar que deve-se limpar as pálpebras, bem junto dos cílios e NÃO o olho em si.
Após a limpeza, o paciente deve usar soro fisiológico ou água, para enxaguar os restos da solução. A limpeza deve ser feita 1 ou 2 vezes por dia, dependendo da gravidade da blefarite.

 

Calor local: o calor local ajuda a remover as crostas e as secreções gordurosas. Para aplicar o calor local, deve usar uma compressa úmida em água morna e colocá-la sobre a pálpebra durante 5 a 10 minutos, mantendo os olhos fechados. Este procedimento deve ser repetido sempre antes de fazer a higiene descrita acima.

Massagens das pálpebras: a massagem suave da base dos cílios visa drenar as secreções das glândulas. A massagem deve ser feita com pequenos movimentos circulares e horizontais, durante alguns segundos, sempre depois da compressa morna. Deve ser feita principalmente pelos pacientes que tem meibomite.

Colírios e pomadas: em casos mais graves ou resistentes podemos utilizar antibióticos junto com antiinflamatórios (corticóides) na forma de colírios ou pomadas oftalmológicas. Devido aos possíveis efeitos colaterais desses medicamentos, essa opção de tratamento só deve ser usada sob orientação de um oftalmologista e por curto período de tempo.

Antibióticos orais (comprimidos): Em raros casos a blefarite é muito resistente ao tratamento convencional e pode até comprometer a integridade do olho. Nessa situação, o seu médico pode usar antibióticos por via oral (doxiciclina) para controlar o processo.

Ômega 3: A suplementação com ômega 3 demonstrou ajudar na regulação da função das glândulas palpebrais e com isso reduzir a blefarite e a meibomite, além de melhorar o ressecamento ocular. Pode ser usado na forma de pó ou, de preferência, na forma de drágeas. A dose recomendada é de 1 grama, 2 vezes por dia, junto das refeições. O ômega 3 é encontrado em alguns peixes (salmão, sardinha) e em algumas sementes (linhaça) e óleos vegetais.

 
Quer saber mais sobre terçol, hórdeolo e calázio?
http://www.medicodeolhos.com.br/2010/05/tercol-hordeolo-e-calazio.html

Quer saber sobre os efeitos colaterais dos corticóides?
http://www.medicodeolhos.com.br/2010/04/corticoides-efeitos-colaterais-nos.html

Outros tópicos que podem ser de seu interesse:

- Lentes de Contato: Tipos, cuidados e dicas para uso correto
http://www.medicodeolhos.com.br/2010/04/lentes-de-contato-tipos-modos-de-usar-e.html

- Olho Seco
http://www.medicodeolhos.com.br/2010/05/olho-seco-o-que-e-causas-e-tratamento.html