terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Tremor nos olhos. Tremor palpebral

O tremor nos olhos, como as pessoas costumam chamar, é na verdade é um tremor nas pálpebras e não do olho em si. Em termos médicos, esse tremor é chamado mioclonia.
Esse tremor involuntário das pálpebras pode ocorrer sem motivo aparente, sem causa nenhuma mas pode também ser decorrente de alguma doença nos olhos ou nos nervos do rosto.


O tremor ocorre no músculo palpebral ou no músculo orbicular (que envolve os olhos) e costuma ser benigno, isto é, geralmente não indica nenhuma doença.

Causas do tremor nas pálpebras
- Cansaço extremo
- Stress, nervosismo, ansiedade
- Ingestão excessiva de cafeína (café, chá, refrigerante) ou álcool
- Falta de vitaminas e sais minerais
- Carência de potássio
- Uso de óculos com grau errado e inadequado (raramente)
- Ressecamento ocular (olho seco)
- Alergia ocular
- Tique nervoso (existe uma doença chamada Síndrome de Tourrete em que a pessoa tem muitos tiques e um deles pode ser piscar o olho)

No entanto, mais uma vez ressalto que em grande parte dos casos NÃO é possível identificar a causa do tremor dos olhos.

Algumas alterações oculares também podem causar esse tremor:
- Ceratite
- Ponto solto (para quem fez alguma cirurgia nos olhos e o ponto fica exposto)

O que é blefaroespasmo e espasmo hemifacial?
Blefaroespasmo e espasmo hemifacial são doenças do sistema nervoso (do tronco cerebral, dos gânglios da base ou do nervo facial) em que ocorre contrações (tremores) involuntários e frequentes dos músculos ao redor do olho e ás vezes também dos músculos ao redor da boca, de um lado só ou dos 2 lados do rosto. Os tremores são tão intensos e constantes que limitam muito a vida da pessoa e precisam ser tratados. O tratamento pode ser feito com injeção de toxina botulínica (botox).

Quando o tremor ocular é preocupante ?
Embora raro, o tremor palpebral pode sinalizar uma doença neurológica, uma alteração do sistema nervoso central.  Nesse caso, outros sintomas costumam ocorrer, como paralisia facial, tremor na região dos lábios, dificuldade para andar, falar etc... Nesses casos um neurologista deve ser consultado o quanto antes.

Quando devo procurar o oftalmologista devido ao tremor nas pálpebras?
Se o tremor nas pálpebras ocorre de forma esporádica, poucas vezes na semana e só por um tempo pequeno não há necessidade de preocupação. Mas quando esses sintomas ficam mais comuns e freqüentes ou quando outros sintomas oculares acontecem junto (como dor nos olhos, sensação de areia, baixa da visão), o oftalmologista deve ser procurado.

Como tratar o tremor dos olhos ?
Primeiro é preciso entender que quando esse tremor é esporádico não precisa de tratamento especifíco. É preciso identificar a causa desse tremor e combater o estresse, melhorar a alimentação, dormir melhor etc...
Ir no oftalmologista para fazer um exame de grau, ver se os seus óculos estão desatualizados também é importante.
Em casos onde o tremor é tão grande que atrapalha a vida ou a visão da pessoa, uma opção de tratamento é a aplicação de botox. Leia mais sobre a aplicação de Botox nas doenças oculares, clicando aqui

Faça um teste online e descubra se você precisa de óculos

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Vitamina C, Vitamina E e a Catarata

Pesquisa médica publicada no mês de Novembro em revista médica científica americana (Archives of Ophtalmology, Vol 128, n.11) envolvendo mais de 11 mil pessoas (!) concluiu que a ingestão de vitamina C e/ou vitamina E em doses altas não diminui a incidência (ocorrência) de catarata.
Diversas outras pesquisas semelhantes já mostraram o mesmo resultado.

Ou seja, ao contrário do que muitas pessoas divulgam, não adianta tomar suplementos de vitamina C e vitamina E para impedir o aparecimento de catarata.

Vale lembrar que uma dieta balanceada e equilibrada é suficiente para prover a quantidade de vitaminas e minerais necessários para a nossa vida. O uso de suplementos vitamínicos é muitas vezes desnecessário e quando feito de forma exagerada pode até mesmo ser prejudicial.




domingo, 19 de dezembro de 2010

Proteja seus olhos do Sol - Use Óculos Escuros

O Sol pode ser um grande inimigo dos olhos. Várias doenças oculares podem ser causadas pela radiação solar e o uso de óculos escuros é importante para preveni-las.


Verão no Brasil é sinônimo de sol, praia e diversão. Mas é sinonimo também de intensa radiação ultravioleta atingindo nosso país. E essa radiação ultravioleta, principalmente a UV-A e UV-B acarreta vários problemas de saúde. Além dos problemas de pele, como queimadura e câncer de pele, a exposição à radiação solar, pode causar vários problemas nos olhos, inclusive com baixa permanente da visão.  
No Brasil, em certas épocas do ano, e em certas regiões, como no litoral da região sudeste (Rio e São Paulo principalmente) o nível de radiação pode atingir níveis entre 9 e 11. Em algumas praias, já há medidor de radiação ultravioleta, alertando os banhistas ao risco que estão expostos.
Tabela dos níveis de radiação UV e risco à saúde

Medidor de radiação UV na praia de Copacabana - RJ

Abaixo listamos os problemas que o sol pode causar aos nosso olhos:
  • Exposição intensa ao Sol, de forma aguda:
- Ardência
- Fotofobia - irritação com a luz
- Ceratite - inflamação das córneas (tipo queimadura) que causa grande desconforto e precisa de tratamento imediato
- Maculopatia Solar - Lesão na retina (camada mais interna do olho) que pode causar uma perda na visão central de forma permanente
Maculopatia Solar - O círculo alaranjado no centro é o efeito nocivo causado pelo sol
Visão da pessoa com maculopatia solar

  • Exposição ao Sol de forma prolongada (ao longo de anos)
- Catarata precoce - opacificação do cristalino - (Leia mais sobre Catarata nesse texto)
- Degeneração Macular relacionada à idade (DMRI) - (Leia mais sobre a DMRI nesse texto)
- Pterígio - Pele avermelhada que cresce na conjuntiva (Leia mais sobre Pterigio aqui)

Pterígio
O único modo de prevenir essas complicações oculares causadas pela exposição ao Sol, é evitar a exposição ao sol, principalmente entre o horário de 10 e 16 horas, e usar óculos escuros. saiba como escolher os óculos certos, com proteção ultravioleta adequada clicando aqui e lendo esse texto 

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Daltonismo e a visão das cores

Daltonismo é a alteração na percepção das cores. O daltonismo também é conhecido com discromatopsia.

A nossa visão de cores é dada pelas células da retina chamadas cones. Existem basicamente 3 tipos de células cones, cada tipo responsável pela visão de uma das 3 cores básicas. As cores básicas da visão são o
vermelho, o verde e o azul. As outras cores são, na verdade, a combinação dessas 3 cores básicas.



O indivíduo normal que distingue as 3 cores básicas é chamado de tricromatismo
O dicromatismo é quando a pessoa só distingue 2 cores
A forma mais comum de daltonismo é a deficiência para o verde e vermelho e é essa forma que realmente é chamada de daltonismo
Visão normal
A deficiência para o vermelho se chama Protanopia
Visão Protanopia
A deficiência para o verde se chama Deuteranopia
Visão Deuteranopia

A deficiência para o azul e amarelo se chama Tritanopia
Visão Tritanopia
Percebam que o que ocorre geralmente não é uma deficiência total para enxergar determinada cor (por exemplo o vermelho) mas uma dificuldade de perceber os tons daquela cor (laranja, vermelho, vermelho escuro) o que faz com que a pessoa confunda uma cor com outra.
A deficiência total para cores, ou seja, enxergar tudo em preto e branco é muito mas muito raro e se chama acromatopsia.

O que causa o Daltonismo?

Daltonismo é uma doença genética, ou seja, existe uma alteração nos cromossomos. Essa alteração genética provavelmente foi herdada do pai ou da mãe. Geralmente a alteração genética está no cromossomo X, e por isso o daltonismo é mais comum nos homens. (Como o homem só tem 1 cromossomo X e a mulher 2 cromossomos X é mais fácil acometer os homens). Estima-se que existe 8 homens acometidos para cada 1 mulher acometida.

Como saber se meu filho será Daltônico ?

Podemos usar uma simples regra de genética para estimar a chance de uma pessoa transmitir o gene do daltonismo para os filhos
Considerando que a alteração está no cromossomo X, teremos

  • Se a mãe não for daltônica nem portadora do gene alterado e o pai possuir visão normal, nenhum dos descendentes será daltônico nem portador.
  • Se a mãe possuir visão normal e o pai for daltônico, nenhum dos descendentes será daltônico, porém as filhas serão portadoras do gene alterado (O cromossomo X do pai é alterado e passou para a filha)
  • Se a mãe for portadora do gene alterado e o pai possuir visão normal, há a probabilidade de 50% dos filhos serem daltônicos e 50% das filhas serem portadoras do gene (O cromossomo X alterado veio da mãe)
  • Se a mãe for portadora do gene e o pai for daltônico, 50% dos filhos e das filhas serão daltônicos.
  • Se a mãe for daltônica e o pai possuir visão normal, todos os filhos serão daltônicos e todas as filhas serão portadoras.
  • Se a mãe for daltônica e o pai também 100% dos filhos e filhas também serão daltônicos.

Daltonismo: Diagnóstico
Teste de Daltonismo

Existem 2 tipos de exames para fazer o diagnóstico, dizer o tipo de daltonismo e a gravidade da deficiência de cores.
- Teste de Ishihara: Talvez seja o exame mais utilizado pois é de fácil manuseio. Consiste de placas com números formados por porntos de cores diferentes. A pessoa sem alterações enxerga um certo número e a pessoa com daltonismo, ou não enxerga número nenhum ou enxerga um número diferente.
- Anomaloscópio de Nagel: Esse aparelho emite uma luz amarela na metade do campo visual e na outra metade emite luzes de diferentes tons. Conforme a pessoa vai alternado esses tons, é possível detectar a dificuldade para perceber cores

Daltonismo: Tratamento

Até o momento não existe um tratamento definitivo e específico para o paciente daltônico
Em alguns casos, quando a pessoa não tem a visão de uma determinada cor ou tem acromatopsia (só enxerga preto e branco) é possível usar algumas lentes de óculos com filtros de cor. Essas lentes são conhecidas como lentes de filtro seletivos para uso medicinal e embora não corrijam completamente o problema, ao menos, diminuem o desconforto e melhoram o contraste

O uso de filtros coloridos também pode ser feito em lentes de contato. Existem lentes de contato para daltonismo, com diferentes filtros de cor, como mostrado nas imagens abaixo





 No futuro, o tratamento genético pode representar a cura para o daltonismo
Em algumas cidades há adaptação dos semáforos e sinais de trânsito para daltônicos. Também existem programas de computador que facilitam a vida do daltônico na hora de navegar na internet.

Curiosidades

- Algumas pessoas com daltonismo podem ter uma maior facilidade em reconhecer certos objetos, ver pessoas camufladas, escondidas etc... Em algumas situações o daltônico pode enxergar até melhor do que a pessoa com visão normal, principalmente a noite.
- Vincent Van Gogh, pintor holandês, era daltônico

Faça um Teste para Daltonismo. Teste para saber se você é daltônico


Veja que números você consegue enxergar em cada um desses círculos. A pessoa com visão normal enxergará um número e a pessoa com daltonismo enxergará um número diferente ou mesmo não enxergará número nenhum. No primeiro círculo, já demos a resposta correta. Para os outros testes, nos envie um comentário com o seu resultado e nós diremos se você é daltônico ou não.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Glare e Halos na Cirugia de Miopia

O Glare e os halos noturnos são fenômenos ópticos que podem ocorrerm em pessoas que fizeram a cirurgia refrativa para correção de miopia, astigmatismo ou hipermetropia. Embora sejam transitórios e não ocorram o tempo inteiro, costumam causar incomodo nos pacientes. O glare e os halos ocorrem com mais freqüência a noite e em ambientes escuros
Glare e halos após cirurgia de miopia

Podemos dividir o glare em duas formas: A forma transitória que resolve espontaneamente em cerca de 3 meses e a forma persistente, na qual esses fenômenos duram por mais tempo.

Causas do Glare? 

O glare ocorre porque o laser é feito só na região central da córnea.A parte mais periférica da córnea não recebe o laser.
Em ambientes escuros, a pupila dilata e ultrapassa em tamanho a região da córnea aonde foi feito o laser. Como a pessoa passa a enxergar uma parte da córnea sem laser e outra com laser, ocorre esse glare. Isso também ocorre quando o laser não é feito exatamente no centro da córnea, ou seja quando o laser foi feito descentrado.
Vale lembrar que o mesmo fenômeno pode ocorrer em pessoas que usam óculos, quando ela olho por fora e por dentro da lente ao mesmo tempo e também em usuários de lentes de contato.













Fatores de risco para a ocorrência do glare:  

- Pacientes jovens e com olho claro 
- Pessoas com pupila grande 
- Cirurgias para graus altos de miopia ou astigmatismo 
- Tratamento a laser feito com diâmetro (tamanho) muito pequeno ou muito grande 
- Sobra de grau depois da cirurgia (hipo ou hipercorreção) 

Tratamento do Glare 

Como dito acima, a maioria dos casos resolvem espontaneamente em um período de até 3 meses. 
Os casos persistentes e que atrapalhem significativamente a vida da pessoa necessitam de tratamento, que pode ser feito com 

- Colírios que diminuem o diamtero da pupila. O mais comum é o colírio de pilocarpina diluído. Esse colírio é muito eficaz mas tem alguns efeitos colaterais e não é bom usa-lo por períodos prolongados. A outra opção é o colírio de tartarato de brimonidina (alphagan) que originalmente é um colírio para tratar glaucoma mas também tem um efeito no tamanho da pupila. A brimonidina tem sido a escolha da maioria dos cirurgiões 

- Nova cirurgia a laser: Nos casos de glare persistente pode ser feito um retratamento com laser. Nesse caso é importante que seja feito o exame de aberrometria (wave front) para programar o laser. Isso é o que chamamos de cirurgia personalizada, na qual corrigimos as chamadas aberrações de alta ordem

Para tirar suas dúvidas sobre a cirurgia refrativa e suas possíveis complicações, leia o texto abaixo

Para ler mais sobre cirurgia refrativa, leia o texto abaixo



Dúvidas sobre Cirurgia Refrativa

As dúvidas sobre cirurgia refrativa (ou cirurgia de miopia ou cirurgia para eliminar óculos) perguntadas nesse blog no último ano foram muitas. Infelizmente, esses comentários se perderam ao trocarmos o site de endereço e plataforma. Por isso fiz uma seleção de algumas dúvidas importantes e publiquei-as novamente nesse ano de 2012 na nova fase do Blog Médico de Olhos 
Leia essas dúvidas porque podem ser as suas também. Se ao final da leitura, ainda persistir com mais dúvidas, deixe seu comentário.

1 - Após ler várias coisas sobre Lasik na internet, fiquei com dúvidas quanto ao flap. Após cortado ele não "cola" mais. Fica daquele jeito cortado pra sempre? Se sim, teria perigo de sair do lugar? 

R: Depois do laser, o flap é recolocado na sua posição de origem. Com o tempo ele se adere ao restante da córnea e fica como se nunca tivesse sido feito. Mas nos primeiros dias essa adesão ainda não é completa e ele pode sim se deslocar. Por isso deve-se evitar traumas ou esforços físicos nos primeiros dias. Na verdade, o deslocamento do flap pode ocorrer até anos depois da cirurgia de Lasik mas isso é raro e geralmente só ocorre com trauma mais intenso. 
Quando o flap se desloca, é possivel recolocá-lo no lugar sem muito problema. Precisa fazer um novo procedimento no centro cirúrgico para recolocar o flap no lugar. O resultado embora variável, costuma ser bom.


2 - Estou para fazer a cirurgia a algum tempo, mas meus olhos são ressecados e alérgicos. Estou em tratamento com diversos medicamentos. Os meus olhos já estão quase bons, e a médica esta querendo marcar a cirurgia...mas estou em duvida com qual procedimento operar, a Lasik ou o PRK. Ela quer continuar usando os medicamentos antes e após a cirurgia, é indicado?

R = Quem tem olho seco e usa medicamentos para melhorar a lubrificação do olho deve ter especial atenção. A lubrificação do olho é importante não só durante a cirurgia mas também para obtermos uma boa recuperação no pós operatório. A própria cirurgia a laser causa um ressecamento ocular. A técnica de PRK costuma causar um ressecamento no pós operatório menor do que o LASIK e deve ser a técnica de escolha nesses casos. 
Além disso, um olho muito seco não consegue ter uma visão nítida. É importante que o médico cirurgião trate bem o olho seco antes da cirurgia e também depois. Em casos mais severos, é possível usar plugs de oclusão do ponto lacrimal, que melhoram a lubrificação e permitem uma recuperação mais rápida e melhor. 
Para ler mais sobre o assunto leia o texto 


3 – Eu já fiz cirurgia Ceratotomia Radial ? Agora o grau voltou. Posso fazer outra cirurgia refrativa, agora a Laser? 

R = Muitas pessoas que fizeram a cirurgia de ceratotomia radial anos atrás para correção de miopia e astigmatismo, tiveram um ótimo resultado e ficaram alguns anos livres dos óculos. Porém depois de 10 a 20 anos da ceratotomia radial, muitos voltaram a apresentar grau de óculos, geralmente hipermetropia e astigmatismo. É possivel fazer uma nova cirurgia se o paciente quiser mas não é assim tão fácil. Como a córnea ficou muito plana e irregular depois da cirurgia, é necessário fazer exames detalhados e programar bem a cirurgia a laser. Em alguns casos, o mais prudente é continuar de óculos ou lentes de contato do que tentar melhorar um problema e acabar piorando. Em outras situações a cirurgia a laser é segura. Ou seja, tudo dependerá dos exames pré operatórios.

4 – “Durante a cirurgia de miopia, tive problemas pra manter parado o olho e agora esse olho está em pior situação.”  “De acordo com o medico que me operou de miopia, eu tive hipercorrecao por ter mexido demais o olho na hora da cirurgia. Isso realmente é verdade, eu estava nervoso demais, mas o laser nao deveria interromper quando acusa movimento do olho? 

R: Todo aparelho de cirurgia refrativa, para miopia, hipermetropia e astigmatismo tem um sistema chamado Eye tracker. Esse sistema monitora a posição do olho quando o laser está funcionando e sempre que a pessoa mexe o olho, o laser desarma automaticamente. Isso impede que o laser seja feito fora da posição correta.  Mesmo com o eye tracker, quando a pessoa mexe muito o olho e o laser toda hora "arma, desarma, desarma e arma " novamente, o resultado não é tão bom quanto se o laser tivesse sido feito direto. Por isso, é importante que a pessoa se mantenha calma e tente manter o olho parado durante a cirurgia

5 - Operei lasik dia 24 de setembro, e no dia 27 percebendo visão dupla, fui submetido a procedimento para retirar estrias do flap, que incluiu a retirada do epitelio, apos isso coloquei lente protetora que retirei ontem. Qual o risco de ficar com a visão embaçada por causa das estrias?

R: Algumas vezes o flap pode enrugar ou se deslocar, causando as chamadas estrias do flap. Isso causa um embaçamento e uma distorção da visão. Nesses casos, é preciso reoperar para "esticar" o flap, retirando as estrias. No pós operatório dessa segunda cirurgia, a colocação de lentes de contato protetoras evitam que o flap "enrrugue" novamente. O importante nesses casos é não demorar muito para corrigir o problema. Operar assim que for diagnosticado as estrias do flap. A resposta costuma ser boa.

Estrias no Flap do Lasik

6 - Gostaria de saber as vantagens da utilização da técnica personalizada em relação a convencional para cirurgia de miopia. Obrigada

R: A diferença da técnica personalizada para a convencional é que na personalizada, além do grau, tentamos corrigir também, pequenas imperfeições da córnea chamadas aberrações de alta ordem. Essas aberrações são medidas através de um exame chamado aberrometria ou Wave-front. Somente nos casos em que essas aberrações de alta ordem são grandes é que a técnica personalizada seria melhor. Geralmente, a técnica de cirurgia a laser personalizada só tem vantagem em pessoas com graus mais altos, astigmatismos elevados e em casos de re-tratamento, ou seja, quando uma pessoa já operou, o grau voltou e vai operar novamente

7 - Fiz PRK há 20 dias e retirei as lentes com 6 dias de cirurgia. O médico teve grande dificuldade para retirar as lentes, elas estavam bem "grudadas". Após a retirada não aguentava ficar com os olhos abertos, eles lacrimejavam e ardiam muito. O que pode ter acontecido?

R: Na cirurgia do PRK a lente de contato (chamada terapêutica) é colocada para permitir que o epitélio da córnea se regenere (ou reepitelize). Isso normalmente acontece em 5 a 10 dias. Mas em algumas pessoas o epitélio demora mais para cicatrizar ou na hora de retirar as lentes, se estas estiverem muito "grudadas", o epitélio pode "abrir" novamente. Nesses casos, a córnea, ainda não cicatrizada, incomoda muito e é preciso recolocar a lente de contato para aliviar o desconforto

8 - Existe uma diferença muito grande na recuperação da cirurgia de miopia e a de hipermetropia?

R: O pós operatório imediato é igual para a cirurgia de miopia, a de hipermetropia ou a de astigmatismo. No entanto, em pessoas com hipermetropia é mais comum que após um período de mais ou menos 1 ano, apareça novamente, algum grau, geralmente menor do que antes da cirurgia. Tirando isso, não há diferenças significativas

9 – Estou fazendo os exames para operar miopia e o médico que fez o mapeamento da retina disse que tenho de fazer pelo menos 2 aplicações de laser fotocoagulação. Isso é verdade?

R: Todos os pacientes miopes, especialmente os com grau alto, podem ter alterações na retina, que devem ser tratadas antes da cirurgia refrativa, pois há risco de elas causarem descolamento de retina. Esse tratamento é feito com um tipo de laser específico (fotocoagulação com laser de argônio). Leia mais sobre o assunto no texto http://www.medicodeolhos.com.br/2010/05/tudo-sobre-miopia.html

10 - É verdade que quem faz essa cirurgia provavelmente não pode usar mais lentes comuns porque a córnea fica mais reta? 

R: Depois da cirurgia refrativa, a curvatura da córnea fica alterada. Além disso o olho pode ficar mais seco. Esses dois fatores podem dificultar a adaptação de lentes de contato depois da cirurgia a laser, porém não é proibido usar lentes. Na verdade, mesmo com esses 2 fatores mencionados, é relativamente fácil colocar lentes de contato em pessoas que fizeram cirurgia a laser.

11 – Quais as complicações mais comuns da cirurgia refrativa ? 

R: Em ordem de freqüência as complicações mais comuns são: Olho Seco, hipo (pouca) ou hiper (muita) correção (ou seja, grau residual) e distúrbios de visão à noite (principalmente glare).

12 - “Até hoje tenho muita dificuldade em dirigir a noite, já cheguei ao ponto de ter que parar o carro no acostamento e esperar todos os carros que estavam na faixa contrária passar...”
“Minha visão está boa, mas sinto dificuldades quando olho pras luzes (no período da noite), vejo halos e as luzes parecem mais fortes (como se eu estivesse feito um procedimento de dilatação da pupila)”



Leia sobre as diferenças entre as técnicas de PRK e LASIK, lendo o texto abaixo

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Tratamento da Distrofia de Fuchs

Tratamento da Distrofia de Fuchs

Nas fases iniciais da Distrofia de Fuchs não é necessário nenhum tratamento, só exames de controle a cada 6 ou 12 meses, principalmente com os exames de microscopia especular e paquimetria
Quando a córnea já começa a ter edema e o paciente apresenta os primeiros sintomas, podemos usar alguns colírios que diminuem o “inchaço” (edema) da córnea. Esses colírios (NaCl a 3 ou 5% e dimetilpolisiloxane) são feitos em farmácias de manipulação de colírios.
No entanto quando a doença progride, os colírios já não fazem tanto efeito e precisamos partir para o tratamento cirúrgico.

A cirurgia para a Distrofia de Fuchs é o transplante de córnea
Existem 2 tipos de transplante de córnea para a distrofia de Fuchs.
- Transplante penetrante (ou total) da córnea
- Transplante endotelial da córnea (sigla em inglês DSAEK)
Transplante de Córnea: Antes (em cima) e depois (em baixo)
Podemos fazer o transplante penetrante (ou total) da córnea, que é a troca de todas as camadas da córnea, ou o transplante endotelial, no qual trocamos apenas o endotélio da córnea.
O Transplante endotelial da córnea é muito interessante porque troca-se apenas a camada que está alterada na Distrofia de Fuchs. Com esse tipo de transplante, a recuperação é mais rápida e a cirurgia mais segura. No entanto, ela é tecnicamente mais difícil e nem todos os oftalmologista estão familiarizados com essa técnica.
Transplante de córnea: Aspecto no pós operatório
Eu tenho Distrofia de Fuchs. Quando devo fazer o transplante da córnea?
O transplante da córnea deve ser feito quando a doença já atrapalha a visão e compromete a sua qualidade de vida. Não é interessante atrasar muito o transplante pois podemos chegar a um estado muito avançado da doença chamado ceratopatia bolhosa. O transplante deve ser feito antes disso.

Tratamento da ceratopatia bolhosa


A ceratopatia bolhosa é quando o edema da córnea é tão grande que forma "bolhas" na sua superfície. Nesses casos mais avançados, além da baixa da visão, a dor é muito grande e causa um intenso desconforto na vida da pessoa. Então se não for possível fazer o transplante de córnea (que melhora tanto a visão quanto a dor) podemos fazer alguns procedimentos que melhoram apenas a dor. A mais rápida e simples é colocar uma lente de contato, chamada lente de contato terapêutica e que a pessoa dorme com ela. A melhora da dor é rápida porém é um tratamento temporário.
Depois, de forma mais definitiva, podemos fazer algumas cirurgias como micropuntura da córnea ou recobrimento com membrana amniótica ou recobrimento conjuntival.
Essas cirurgias são opções enquanto aguarda-se o transplante de córnea ou nos casos em que a visão está comprometida por outras causas e podemos fazer uma cirurgia mais simples do que o transplante.

Para saber o que é a Distrofia de Fuchs, seu diagnóstico e sintomas, clique aqui
Para ler mais sobre o Transplante de Córnea, clique aqui
http://www.medicodeolhos.com.br/2010/05/transplante-de-cornea-como-e-cirurgia.html 


Você sabia que já é possível fazer o Transplante de Córnea a Laser? Leia o texto abaixo e descubra essa nova técnica
http://www.medicodeolhos.com.br/2012/01/transplante-de-cornea-laser.html