domingo, 9 de maio de 2010

A Catarata na arte de Monet

Claude Monet (1840-1926) foi um pintor francês famoso por iniciar e ser um dos principais pintores impressionistas. Monet sofreu de catarata e isso afetou de maneira decisiva suas pinturas. Com a catarata atrapalhando sua visão o jeito foi continuar pintando com o auxílio da sua memória, das suas lembranças. A paisagem era a mesma, que ele tanto já tinha visto e pintado, mas as cores e os detalhes já eram outros.

O diagnóstico de catarata foi feito em 1912 quando Monet tinha 72 anos, mas os sintomas começaram 10 anos antes. Por receio do pintor, a cirurgia só foi feita em 1923. Monet operou o olho direito, mas insatisfeito com o resultado inicial não quis operar o olho esquerdo. O olho esquerdo, apresentava uma densa catarata e não podia ver corretamente os tons de amarelo, violeta e azul. O olho direito, no entanto, podia ver claramente essas cores.
As pinturas de Monet refletem claramente as alterações que a catarata causaram na sua visão. A percepção das cores mudou muito. Seus brancos, verdes e azuis começaram a mudar de tons sendo substituídos pelo amarelo e pelo roxo em suas pinturas. Usava uma paleta de laranja-vermelho para paisagens ao invés de um verde-azul. A luz o incomodava e ele só pintava em certas horas do dia, quando a luz lhe permitia trabalhar melhor. Quando ele finalmente conseguiu fazer a cirurgia e obter novamente sua visão, destruiu muitos dos seus trabalhos que ele fez com a catarata. Suas últimas pinturas antes de sua morte (que ocorreu três anos depois) lembravam seus trabalhos iniciais.
A imagem acima foi extraida de um artigo cientifico citado no final do texto. A imagem A é a foto da paisagem nos dias atuais. A imagem B é a famosa pintura de Monet da ponte japonesa em 1899, sem catarata. As imagens C e D são uma simulação da visão de Monet com uma catarata média e com uma catarata avançada.
Abaixo, seguem as pinturas da ponte japonesa realizada em 1899 e outra realizada em 1918. A diferença de nitidez e de cores causada pela catarata é gritante.


 

Artigo fonte: Ophthalmology and Art: Simulation of Monet’s Cataracts and Degas’ Retinal Disease. Michael F. Marmor, MDArch Ophthalmol. 2006;124(12):1764-1769
 
Hoje em dia não é preciso conviver tanto tempo com a catarata atrapalhando sua visão e nem ter tanto receio da cirurgia como o pintor Monet. A cirurgia moderna para correção da catarata tem resultados excelentes.

Quer saber mais sobre o que é catarata e como é feito o diagnóstico? http://blogoftalmo.blogspot.com/2010/04/catarata-diagnostico-e-cirurgia.html

Quer saber mais sobre a cirurgia de catarata?
http://www.medicodeolhos.com.br/2010/08/cirurgia-de-catarata.html

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Transplante de Córnea: Como é a cirurgia

 O Transplante de Córnea é o transplante mais realizado no mundo e a solução para diversas doenças da córnea. Vamos explicar passo a passo como ocorre a cirurgia e os tipos de transplantes de córnea que existem.

  • Pré Operatório: Como em toda cirurgia oftalmológica, são feitos diversos exames antes da cirurgia. Dados como pressão ocular, alterações retinianas ou do nervo óptico vão alterar o prognóstico da cirurgia.
  • Anestesia: Geralmente é feita com anestesia local. Em algumas situações, o médico pode optar por fazer anestesia geral, para diminuir a chance da lagumas complicações durante a cirurgia.
  • Técnica cirúrgica: Existem 3 tipos de transplante de córnea:

Transplante Penetrante de Córnea, Transplante Lamelar de Córnea e Transplante Endotelial de Córnea.

1 – Transplante Penetrante da Córnea:

Esse é o modelo clássico do transplante de córnea. Nele troca-se toda a região central da córnea. Toda a sua espessura. A córnea do paciente (receptor) e a córnea doada (doador) são cortadas com uma lâmina de corte especial chamada trépano. Isso é a trepanação da córnea.

trépano de córnea

retirada da córnea doente

Depois de colocar a córnea doada, sutura-se as duas partes (receptor e doador) com fios de sutura muito finos. A sutura pode ser com pontos separados (geralmente 16) ou com uma sutura contínua, como se costurasse uma roupa.

aspecto final da cirurgia

2 – Transplante Lamelar da Córnea:

Nessa modalidade não retira-se toda a espessura da córnea do paciente. Retira-se apenas a porção anterior da córnea, que está doente, mas preserva-se as camadas mais profundas da córnea que estão sadias.
Obviamente esse modalidade só serve para alguns tipos de doenças. Principalmente as doenças que não afetam todas as camadas da córnea.
A sutura da córnea é realizada da mesma forma como o transplante penetrante.
O Ceratocone é uma ótima indicação para esse tipo de cirurgia

3 – Transplante Endotelial da Córnea:

Existem algumas doenças de córnea em que só a porção mais profunda da córnea está doente e o restante está normal. Para essas doenças é possível trocar só essa camada profunda, chamada endotélio. O transplante endotelial da córnea não é uma cirurgia tão comum, mas quando bem feita é uma opção mais simples e muito boa.
Ao contrário dos outros 2 tipos de transplante, não é preciso dar tantos pontos.
A grande indicação para esse tipo de transplante é a distrofia endotelial da córnea (Distrofia de Fuchs).

  • Pós operatório: O pós operatório do transplante de córnea é relativamente simples. O paciente vai precisar evitar grandes esforços físicos e usar os colírios de forma correta. Esses colírios tem por objetivo evitar infecções e reduzir a chance de rejeição da córnea. O tempo de uso desses colírios varia entre 1 e 6 meses geralmente.
A principal preocupação dos pacientes que se submetem ao transplante é saber quando que a visão vai ficar boa. Isso vai variar bastante, de acordo com a doença apresentada antes da cirurgia, com o tipo de transplante feito e com o astigmatismo resultante da cirurgia.
O astigmatismo que a pessoa vai apresentar depois da cirurgia vai depender do corte da córnea doada (trepanação da córnea) e da sutura realizada pelo cirurgião.
Os pontos do transplante serão retirados com o passar do tempo, reduzindo o astigmatismo apresentado.

Graft = córnea doada.  Sutures = Ponto do transplante
Não há garantia que, depois do transplante, o paciente não precisará usar óculos. Pelo contrário, grande parte dos pacientes vai precisar de óculos ou de lentes de contato para corrigir o astgmatismo, além de uma possível miopia ou hipermetropia.

Quando posso retirar os pontos do Transplante de Córnea?

Essa á uma pergunta que os pacientes que fizeram ou vão fazer o transplante sempre questionam. Quem vai decidir quando deve tirar os pontos do transplante de córnea é o cirurgião, baseado em critérios como: grau de astigmatismo após a cirurgia, se tem algum ponto frouxo ou com vaso sanguíneo perto (o que pode aumentar o risco de rejeição) entre outros. Em geral, o período mínimo para começarmos a retirar os pontos é de 3 meses após a cirurgia. Na realidade, esses pontos não incomodam e podem ficar no olho por um período grande. Ele só vai ser retirado se tiver motivo para isso. Por isso, não se preocupe em retirar os pontos agora ou não. Deixe seu médico se preocupar com isso.


Depois do Transplante de Córnea vou precisar usar óculos ?


Depois do transplante, a cornea doada é presa ao olho (suturada) com 16 pontos em média. A força aplicada em cada um desses pontos é que vai determinar o grau de miopia ou astigmatismo (e menos raramente hipermetropia) que vai ficar no pós operatorio. É muito dificil fazer os pontos com força e tensão semelhantes de maneira que não sobre grau nenhum. 
É como se varias pessoas diferentes estivessem puxando um pano de cada lado. Cada um vai fazer uma força diferente e o pano dificilmente ficará perfeitamente redondo.
Geralmente depois do transplante sobra um grau um pouco alto e o médico vai retirando alguns pontos para diminuir esse grau. Nem sempre conseguimos diminuir totalmente o grau e há a necessidade de usar óculos ou lentes de contato. Outras vezes é preciso dar um outro ponto para balancear as forças e fazer o grau ficar menor.
Então, a resposta para a pergunta acima é: provavelmente sim!

Transplante de córnea a Laser:


O advento do laser chamado de femtosecond ou femtosegundo veio revolucionar a cirurgia de transplante de córnea. O laser faz os cortes da córneas (trepanação) de forma muito mais precisa. Isso além de permitir variações na técnica que aumentam o sucesso da cirurgia, diminui o astigmatismo do pós operatório.
O laser pode "esculpir"   a córnea, fazendo desenhos diferentes que facilitam a cirurgia.
Leia mais sobre o transplante de córnea a laser, clicando aqui 

O equipamento é novo e ainda muito caro mas já está presente em alguns hospitais no Brasil.
O laser de femtosecond é diferente do laser usado em cirurgias refrativas, chamado de excimer laser, usado para corrigir miopia e hipermetropia. No entanto, o femtosecond também é usado em cirurgias refrativas para confecção do flap na cirurgia de lasik.
Outra boa indicação para uso do laser femtosecond é na cirurgia de anel de ferrara. O anel de ferrara ou anel intracorneano é usado para tratamento do ceratocone. Leia mais sobre essa cirurgia, clicando aqui

O Hospital de Olhos de Sorocaba tem um dos melhores bancos de olhos do país. Para saber mais sobre esse hospital e até fazer sua inscrição pela internet clique aqui
http://www.hos.org.br/hos/transplante/inscr_trans.html


NOVO! Leia o novo texto sobre transplante de córnea a laser e saiba tudo sobre essa nova técnica cirúrgica





quinta-feira, 6 de maio de 2010

Transplante de Córnea: O que é e para que serve.

O Transplante de Córnea é o transplante de órgãos mais realizado no mundo e também o de maior sucesso. Vamos aqui explicar o que é e como funciona essa cirurgia.


O que é a córnea?

Córnea é o tecido transparente que fica na frente do nosso olho. É através dele que a luz entra no nosso olho. Caso ela perca sua transparência a visão vai ficar prejudicada. Para entender melhor, imagine um relógio com o vidro arranhado, embaçado... Mesmo que a máquina do relógio esteja funcionando, não vai ser possível ver as horas. É igual à córnea: caso ela esteja “embaçada, arranhada”, mesmo que o resto do olho esteja sadio, a visão vai ficar ruim.

Quem precisa fazer o TX? Para que serve?

O transplante de córnea está indicado, obviamente, para algumas doenças da córnea. Muitas pessoas acham que essa cirurgia resolve qualquer doença no olho, mas não é assim. Só as doenças da córnea podem se beneficiar dela. Não existe transplante de “todo o olho”, ou transplante de retina etc...
As principais indicações para transplante de córnea são:

Ceratocone
 Cicatrizes pós algum trauma
Distrofias de córnea
 Doenças congênitas (presentes no nascimento)

Paciente com ceratocone e opacidade de córnea. Para esse caso, um transplante seria uma boa indicação

No entanto, várias doenças, das mais simples, como conjuntivite até casos de infecção pelo vírus da herpes (herpes ocular) podem levar a complicações que necessitem de um transplante de córnea.

De onde vem a córnea doada?

Como em todo transplante, o tecido (no caso a córnea) vem de um doador morto. Após a liberação da família, a córnea é retirada e enviada a um banco de olhos. Esse banco de olhos, avalia, prepara e distribui a córnea que será usada na cirurgia.

Quem pode doar a córnea?

Qualquer pessoa que queira doar seus órgãos após a morte e ajudar outras pessoas que sofrem de problemas visuais. Não há qualquer restrição em relação a ter feito cirurgias oculares, ter glaucoma etc...
Também não há limitação de idade.
As córneas que o banco de olho considerar que não devem ser usadas para transplantes serão usadas em pesquisas científicas ou em treinamentos de novos cirurgiões.

Qual a importância da doação?

No Brasil, o número de transplante de córnea de córnea vem crescendo, mas ainda é muito pequeno em relação ao número de pessoas que esperam por essa cirurgia. Algumas pessoas estão hoje praticamente cegas e após a cirurgia vão poder voltar a levar uma vida normal sem limitações. Inclusive há muitas crianças esperando esse momento.

Aonde é feita a cirurgia?

A cirurgia de transplante de córnea é feita por oftalmologistas em centro cirúrgico de clínicas e hospitais, tanto públicos como privados. Tanto os médicos quanto os hospitais precisam estar credenciados no sistema nacional de transplantes.

Há risco de contrair doenças infecciosas?

Não. As córneas são avaliadas segundo rigorosas normas de controle internacionais e só são liberadas para cirurgia com a certeza que não representam risco para o paciente que irá recebê-la.

Quantas cirurgias de transplante de córnea são feitas no Brasil?

O Brasil dispões de um dos maiores programas públicos de transplante de orgãos e tecidos do mundo. No primeiro semestre de 2009 foram realizados 6151 transplantes de córnea no país. O estado de São Paulo lidera as estatísticas com 2948 transplantes. Minas Gerais com 713 e Paraná com 507 vem em seguida. O Rio de Janeiro só realizou 45 transplantes de córnea.

Há risco de rejeição de transplante de córnea?

Sim. Como em todo transplante de órgão há risco de rejeição. Mas no caso da córnea essa rejeição não representa risco iminente de vida como no transplante de coração ou de rim por exemplo. Muitas vezes é possível controlar essa rejeição com colírios.

É preciso usar imunossupressores para impedir a rejeição?

Não. Ao contrário do transplante de córnea de outros órgãos não é preciso usar esse medicamentos imunossupressores que causam muitos efeitos colaterais

Saiba mais sobre a distrofia de fuchs, clicando aqui
http://www.medicodeolhos.com.br/2010/11/tratamento-da-distrofia-de-fuchs.html

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Lentes de Contato: Dúvidas e dicas

Nesse post colocarei algumas dúvidas sobre o uso de lentes de contato que estão surgindo com a leitura dos textos publicados anteriormente sobre o assunto e também de alguns pacientes do consultório.



1 - Lentes de Contato coloridas (estéticas) são seguras para uso?
R= Sim. Mas deve-se tomar os mesmo cuidados de uso e de higiene que as lentes de contato de grau. Algumas propagandas dão a falsa impressão de que essas lentes não representam qualquer risco a saúde do olho mas isso não é verdade.

2 - Pode-se usar lentes de contato na praia ou na piscina?
R= Sim, mas deve-se evitar abrir os olhos embaixo da água ou usar óculos de natação. No entanto, em piscinas de uso público aumenta-se a chance de pegar infecção por amebas (um tipo específico chamado acantameba) que causa graves infecções de córnea.

3 - Pode-se usar lentes de contato na sauna?
R= Deve-se evitar, pois é grande o risco de contaminaçaõ nesse ambiente.

4 - Como fazer para usar maquiagem e lente de contato junto?
R = É fácil. Primeiro coloque as lentes e depois faça a maquiagem. No final do dia ou da festa, retire primeiro as lentes e demois remova a maquiagem. Ou seja, sempre coloque ou retire as lentes antes de colocar ou retirar a maquiagem.

5 - É seguro usar lentes de contato no avião?
R= Em viagens curtas (ponte aérea) pode-se usar mas se for viagens de média ou longa duração não é indicado. A baixa umidade e o ar condicionado ressecam a lente e se a pessoa dormir vai ter um risco adicional.

6 - Posso usar colírios enquanto estou com as lentes de contato?
R= Nem todos. Muitos colírios tem conservantes ou medicamentos que podem danificar a lente. Por outro lado, alguns colírios lubrificantes melhoram o conforto das lentes e podem ser usados sem restrições. Consulte seu médico antes.

7- Qual o limite de grau para uso de lentes de contato?
R = A maioria das lentes gelatinosas estão disponíveis até 9 ou 12 graus de miopia. Acima disso (12 graus de miopia) só sob encomenda em algumas lentes especiais. Para o astigmatismo o limite geralmente é até 2 ou 2,5 graus. Isso para lentes gelatinosas. Para lentes rigidas praticamente não há limite

8- O prazo de validade das lentes precisa mesmo ser respeitado?
R= Claro que sim. E o prazo de validade das lentes descartáveis (1 dia, 15 dias ou 1 mês) começa a contar do momento em que a embalagem individual de cada lente é aberta. Após o prazo, as lentes começam a acumular resíduos, o que aumenta a chance de infecções e alergias.

Quer saber mais sobre como limpar e conservar suas lentes?

Outras dúvidas sobre lentes de contato?

Você sabia que existem lentes de contato multifocais? Leia também:

domingo, 2 de maio de 2010

Glaucoma: O que é, como diagnosticar, como tratar

Glaucoma: O que é?

Glaucoma é uma doença que lesa o nervo óptico. Por uma série de fatores, as células desse nervo (fibras nervosas) vão morrendo e o nervo óptico não consegue mais mandar sua mensagem para o cérebro podendo levar a uma cegueira irreversível.
O principal fator de risco ligado ao glaucoma é o aumento da pressão ocular. No entanto, existem casos de glaucoma em que a pressão está normal (glaucoma de pressão normal)
Apesar de ter um tratamento simples e eficaz muitas pessoas ainda perdem a visão por não fazer o diagnóstico ou não seguir o tratamento.
No glaucoma a visão vai sendo afetada de fora para dentro, ou seja, primeiro prede-se a visão periférica e nas fases mais avançadas perde-se a visão central.


Segundo notícia publicada no jornal O Globo em 26/05/2011, o glaucoma é a 3a causa de cegueira no mundo.

O que é a pressão ocular?

Nosso olho tem um líquido dentro chamadao humor aquoso. Esse liquido é produzido em um local e drenado em outro. Quando por algum motivo, seja excesso de produção ou dimuição na drenagem, o humor aquoso fica em excesso, a pressão ocular aumenta. Essa pressão alta pode levar ao glaucoma.
Os colírios usados para tratar o glaucoma diminuem a produção desse liquido ou aumentam a sua drenagem. Se você não entendeu, compare seu olho com uma caixa de água, com uma torneira que enche e um ralo que esvazia. Para evitar que essa caixa encha e transborde devemos fechar a torneira ou aumentar o ralo.


Atenção: Os pacientes que usam remédios com corticóides podem ter aumento da pressão ocular. Para saber mais sobre isso clique aqui:                  

http://www.medicodeolhos.com.br/2010/04/corticoides-efeitos-colaterais-nos.html

Glaucoma tem cura?

Não. Mas tem um tratamento muito eficaz e fácil de ser feito. Assim com a hipertensão arterial, uma vez que seja feito o diagnóstico do glaucoma o tratamento deve ser feito pelo resto da vida.

Glaucoma: Fatores de risco
  • Pressão Ocular elevada (é o mais importante)
  • Raça negra
  • Casos de glaucoma na família (pais, avós, irmãos)
  • Diabetes
  • Córnea espessa (ver paquimetria mais abaixo)
Quem apresenta algum desses fatores de risco deve consultar seu oftalmologista e fazer alguns exames para descartar a possibilidade de ter glaucoma

Glaucoma: Diagnóstico

O diagnóstico do glaucoma nem sempre é fácil de ser feito. Vários dados são levados em consideração pelo oftalmologista para dizer se uma pessoa tem ou não tem glaucoma. O principal dado a ser considerado é a pressão ocular. Outros dados como idade, história familiar (se seus pais, avós ou irmãos tem glaucoma), presença de diabetes e o resultado de alguns exames serão considerados também.

Glaucoma: Exames


  • Tonometria: é o exame feito no consultório para medir a pressão intra ocular. Deve ser feito em toda consulta oftalmológica. A pressão ocular normal varia entre 08 e 21 mmHg.

  • Curva tensional: É a medida da pressão ocular em diferentes horas do dia. A pressão ocular varia ao longo do dia e essa variãção é importante para o diagnóstico e acompanhamento da doença.

  • Fundo de olho (ou fundoscopia): Avalia o nervo óptico e verifica se há um aumento da escavação. A escavação do nervo óptico tem um tamanho de 0,1 a 0,3 nos pacientes sem glaucoma. Quando essa escavação é maior do que isso, aumenta a suspeita de glaucoma. Em estágios muito avançados do glaucoma essa escavação pode chegar a 0,9 e 1,0.
Nervo óptico glaucomatoso

Nervo óptico normal


  • Retinografia ou estereofoto de papila: é a documentação fotográfica do nervo óptico facilitando a avaliação pelo oftalmologista e permitindo a comparação com fotos futuras.

  • Campo visual (campimetria): é um exame muito importante e que avalia se há lesão nas fibras nervosas do nervo óptico. É importante no diagnóstico e no acompanhamento da doença. Deve ser feito pelo menos 1 vez por ano.

Essas imagens mostram a progressão do campo visual em um paciente com glaucoma sem tratamento

  • Gonioscopia: Faz a diferença entre glaucoma de ângulo aberto e glaucoma de ângulo fechado (ou estreito). O tratamento e o prognóstico são diferentes entre esses dois tipos de glaucoma.

  • Análise da camada de fibras nervosas (GDX ou HRT): Tem uma função parecida com o campo visual mas é melhor e mais detalhado.

  • Paquimetria: Mede a espessura da córnea. Quanta mais espessa a córnea maior será a pressão medida pela tonometria. Ás vezes uma pessoa tem a pressão ocular alta mas é porque a sua córnea é grossa e não porque ela tem glaucoma.
Glaucoma: Sintomas

O glaucoma geralmente não dá sintomas e por isso é perigoso porque a pessoa pode ter glaucoma e não saber. Só quando a pressão está muito elevada (geralmente maior do que 40 mmHg) é que a pessoa pode sentir dor nos olhos e na cabeça. Isso ocorre com mais freqüência nos glaucomas de ângulo fechado.
Como o glaucoma começa a afetar a visão na periferia do campo visual a pessoa não percebe a alteração. Só em estágios avançados a pessoa começa a perceber que a visão está prejudicada.

Glaucoma: Tratamento

O objetivo do tratamento do paciente com glaucoma é evitar as lesões no nervo óptico e a redução do campo visual típicas do glaucoma. Apesar de não conseguir reverter as alterações já existentes o tratamento consegue retardar ou evitar o surgimento de novas alterações glaucomatosas. Para tal, devemos reduzir a pressão ocular (PIO) do indivíduo glaucomatoso para a PIO-alvo.
A Pio-alvo é aquela em que não há progressão do dano ao nervo óptico e ao campo visual. Essa Pio alvo varia de individuo para individuo e de acordo com a estágio da doença. Assim, pessoas com glaucoma leve vão ter Pio-alvo maior do que pessoas com glaucoma avançado, em que a pio alvo vai ser bem baixa.

Nos dias de hoje os médicos dispõem de muitos métodos para tratar o glaucoma. O melhor tratamento é com colírios. Existem vários e eles podem ser usados associados uns com os outros. Em alguns tipos de glaucoma, podem ser feitos alguns tratamentos com laser. Em casos mais graves onde os colírios já não fazem tanto efeito, podem ser feitos cirurgias para glaucoma.


Para saber mais sobre o tratamento do glaucoma e sobre todos os tipos de colírios usados para glaucoma. visite essa página:
http://www.medicodeolhos.com.br/2010/05/tratamento-do-glaucoma.html


O CID 10 (código internacional de doenças) do Glaucoma é H40.1

Para apreender a pingar os colírios para glaucoma de maneira correta, evitando o desperdício e aumentando a eficácia, leia o texto abaixo
http://www.medicodeolhos.com.br/2010/10/como-pingar-colirios-de-forma-correta.html


Para saber mais sobre os fatores de risco e a sua chance de desenvolver glaucoma, visite essa página:

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Corticóides - Efeitos Colaterais nos olhos

Os corticoesteróides são medicamentos antiinflamatórios potentes usados em diversas doenças como artrite reumatóide e outras doenças reumáticas, asma e outras doenças pulmonares, alergias, inflamações diversas, transplantes e após algumas cirurgias. Os corticóides mais usados na práticas médica são prednisona, prednisolona, hidrocortisona, dexametasona, metilprednisolona e beclometasona (via inalatória).
Em oftalmologia também são medicamentos muito usados em quadros como uveítes, em algumas conjuntivites e em pós operatórios. Em oftalmologia, os corticóides utilizados na forma de colírios são a prednisolona e a dexametasona.
Esses medicamentos são muito potentes e para certas doenças são a melhor e as vezes única opção de tratamento mas também apresentam muitos e importantes efeitos colaterais
No olho dois desses efeitos colaterais são muito importantes: catarata e glaucoma.

A catarata é uma doença que causa diminuição progressiva da visão e necessita de cirurgia para sua correção. Os corticóides podem causar um tipo de catarata chamada subcapsular posterior que é uma catarata de progressão rápida.
Tanto os corticóides usados por via oral, usados por via nasal (spray nasal para asma ou bronquite) ou como forma de colírios podem causar a catarata.

Olho com Catarata

O glaucoma é uma doença que apresenta aumento da pressão ocular e lesa o nervo óptico causando uma cegueira irreversível se a pressão não for tratada. O uso dos corticóides causa aumento da pressão ocular podendo levar ao glaucoma. Muitas vezes a pressão ocular volta ao normal após o paciente interromper o uso dos corticóides mas em raros casos a pressão ocular pode continuar elevada, necessitando o uso de alguns colírios específicos para abaixar e controlar a pressão ocular.
Da mesma forma que na catarata, todas as formas de administração dos corticóides (oral, spray nasal e colírios) podem aumentar a pressão ocular.

Vale ressaltar que só algumas pessoas vão apresentar esses efeitos colaterais e que esses efeitos dependem do tempo de uso e da dosagem usada. Quanto mais tempo usar, mais chance de desenvolver esses efeitos colaterais.

Caso você use corticoesteróides, não interrompa o uso sem antes conversar com seu médico. Mas converse com ele sobre esses possíveis efeitos colaterais (que ele logicamente sabe que existem) e veja se há outra medicação que possa ser usada.
E o mais importante: Não pratique automedicação. Diversos colírios usados popularmente contém corticóides e podem fazer mais mal do que bem.

Os corticoesteróides tem muitos outros efeitos colaterais sistêmicos (em outros órgãos que não o olho). Já disse que esses medicamentos quando usados por via oral ou spray nasal podem causar os efeitos colaterais no olho mas o contrário é muito difícil de acontecer. Ou seja, usar colírios de corticóides dificilmente causarão efeitos colaterais sistêmicos.

Para saber mais sobre o uso e os efeitos colaterais sistêmicos dos corticóides clique aqui